Foi no ano de 1778, ínicio do reinado de D. Maria I, que nasceu às Cruzes da Sé, mesmo no coração de Lisboa, a oficina de serralharia do “Romão”. Dedicava-se ao fabrico de diversos artigos em ferro forjado, como grades, portões, tocheiros e braços de balança.
Desde então, nove gerações se sucederam na administração da Casa Romão. Mais de 230 anos de existência curiosa, que nunca poderá ser dissociada da história do País.
Romão António Fernandes fundou a oficina de ferraria e serralharia ajudado pelo filho Ângelo. À data do seu falecimento, com 103 anos, já o tinham precedido os filhos que com ele trabalharam, Ângelo e António Luís. Deu continuidade à empresa o neto, mestre de ofício de serralheiro, Nicolao António Fernandes. Após várias sucessões foi em 1908 que o herdeiro de Romão António Fernandes procedeu a grandes reformas, mas foi Emílio Augusto Fernandes que estabelece um acordo com a empresa alemã August Sauter, em Ebingen, detentora da patente das revolucionárias balanças de equílibrio automático de leitura de cinco voltas do ponteiro, que continuam ainda hoje a ser copiadas e produzidas por multiplos fabricantes. Assim a Casa Romão voltou a ser pioneira em Portugal, à semelhança do que acontecera com a primeira balança romana centesimal, fabricada em 1850.
Do conjunto de fabricos da Romão, de realçar um braço balança da Real Casa da Índia, construído pelo filho de Romão António Fernandes, Matheus António, em 1803; as grades e portões do adro da Sé de Lisboa, hoje retiradas para dar passagem aos eléctricos; bem como o relógio da torre, construído em 1824. São múltiplos os exemplos de braços de balança de boa qualidade que ostentam a marca “Romão” e que ainda hoje estão impecáveis pela qualidade do aço e forjagem utilizados. Ainda muito recentemente foi localizada uma balança “Romão” para pesagem de café num departamento da Alfândega no Brasil.